Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

UTOPIA


"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo mais dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Seve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano (poeta uruguaio)

V I D A




V I D A

Como a vida é frágil,
Parece ser um único fio que segura nossa existência
E pensar nisso me levou a refletir sobre alguns conceitos, algumas experiências,
Sobre o amor, por exemplo,
O amor não é um sentimento propiciado pelo tempo,
Mas sim pela experiência e pelos momentos que dois vivem juntos
O amor não é trazido pela convivência, mas pelos momentos marcantes da vida
Não existe um critério para senti-lo, mas sim uma gama de emoções que o cultivam e o permitem florescer
Ele é mutante, se manifesta de várias formas e nos permite exercê-lo também de várias formas
Talvez seja o sentimento mais composto, mais complexo e certamente é misto, acompanhado de outros
Como a saudade, como a atração física, como a cumplicidade
Talvez seja piegas dizer, mas acredito que ele seja sim o combustível para a vida
E talvez também a chave que precisamos no fim
Para partir com a consciência tranqüila de ter deixado um legado
Para poder responder às perguntas que os deuses nos fazem quando chegamos no outro plano
Você teve alegria na sua vida?
Você proporcionou alegria a alguém?
São essas as perguntas que os egípcios acreditam ser o grande julgamento, a chave para ir para o idealizado paraíso
96% por cento das pessoas, segundo uma pesquisa, não gostariam de saber o dia da sua morte
Os outros 4%, acredito eu, não tem consciência do que seria ter essa informação
Por isso digo que a vida é um fio delicado
Justamente por não sabermos quando esse fio se rompe
É aí que está a mágica da vida
A expectativa do amanhã, que nos faz tentarmos ser o melhor hoje, agora, nesse exato minuto
Pois não sabemos se no próximo minuto ou segundo poderemos tentar ser melhores.


BAZÉ, SETEMBRO 2008

SOUNDTRACK: d-_-b *DRIVE* {INCUBUS}

Poesia: RESET


RESET


V

Numa taça de vinho hidrato minhas lembranças

E desidrato minha dor

Por todas essas minhas andanças

Tive muitos espinhos, rosas e campos de flor

Mas um recomeço minha vida alcança


IV

Recomeçar é voltar pro casulo

Recuperar as cores das asas

É torna-se nulo

Para então ter-se de novo em águas calmas e rasas


III

Nesse leito de água doce olho as estrelas no céu

E começa a desenhar o novo eu

Peço a lua um novo pincéu


II

Um pincéu com penas de fênix

Que estava guardado na caixa de Pandora


I

E desenho a silhueta de um novo ser


PS: Peço desculpas aos queridos leitores por estar postando somente meus poemas ultimamente. Me perdoem, mas o momento pede!


SOUNDTRACK: d-_-b *Luz dos olhos* {Cássia Eller}

Poesia: "Grito em silêncio"




Quem nunca gritou em silêncio?

Quem nunca teve um amor platônico ou tomou para si o que é do outro?

Humanos prazeres, humanos sentimentos...

Crises de histeria e depressão

Ou súbitos de êxtase e felicidade

Passando pelos extremos em menos de um segundo

Ultrapassando a velocidade da luz em busca da luz

Sabe aquela pessoa pela qual você daria sua própria vida?

Ela deveria ser você mesmo!

Bazé (Março de 2003)


SOUNDTRACK: d-_-b *Say (All I Need)* {One Republic}

Poesia: "Rumo"


RUMO

Meu rumo é torto
Torto, por que minha vida muda
A cada acaso ou acontecimento posto
É e essa verdade nua
Que estampa no meu rosto
Uma felicidade crua
Ou um desassossego fosco

E a minha vida segue esse caminho
Uma estrada livre, triste e alegre
E escrevo num pergaminho
Que todo pensamento meu que se preze
me transporte pro meu ninho
Onde estou seguro, sereno e leve
E adormeço devagarinho

Depois da curva do rumo torto aparece uma imagem turva
Cubro os olhos pois é difícil ver
A luz forte do novo sol me ofusca
Mas anuncia a chegada daquilo que eu queria ter
E seguida de uma forte chuva
Que lava e banha o meu ser
E me prepara para receber o tanto foi busca

Fabrício Bazé, 30 de junho de 2008.

SOUNDTRACK: d-_-b *Cater 2 U* {Destiny´s Child}

Música & Poesia

Poesia e Música para uma segunda-feira quase fria...



Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados

Deixa em paz os passarinhos

Deixa em paz a mim!

Se me queres, enfim,

tem de ser bem devagarinho, Amada,

que a vida é breve, e o amor mais breve ainda ...

- Mário Quintana -

Ressaca de um dia triste...



Para um domingo, poesia e prosa:

Hoje curto a ressaca de um dia triste... triste, mas verdadeiro,
como muitos outros que gostaria de ter e não tive!
Respirando sem ar, sentindo o cheiro do mar de olhos fechados,
tirando de si o mofo do tempo e da incerteza...
O corte sangra, mas o sangue me mostra a vida que existe dentro de mim!
E como diria Vinícius:

"De manhã escureço
De tarde tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo."

SOUNDTRACK: d--b *I´ll always love you* {Seysha Mercado}

Fernando Pessoa

Hoje me emocionei ouvindo Maria Bethania declamar "Poema do Menino Jesus" de Fernando pessoa, que segue abaixo. Simplesmente lindo!

Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.

Um bom restinho de domingo a todos.

SOUNDTRACK: d--b Desculpe o Auê {Rita Lee e Paula Toler}

Tributo a Love in Sampa

“Li.. Li e reli

Uma incisão com um objeto perfuro-cortante

Poderia ser em Belém, em Paris ou Assunção

Tudo estaria ali do mesmo jeito... o gato, a mala, as luzes, as flores...

O sentimento seria o mesmo... a perda é a mesma, a mesma ilusão...

Acho que esquecer é como exercitar um músculo

É plantar uma erva daninha num jardim... pra ver se as flores morrem...

Por que não arranca-las então?

É mais fácil...

O problema na verdade são as borboletas de Mário Quintana

Em que flores elas vão pousar?”

(TRIBUTO A LOVE IN SAMPA)..

Tributo a Love in Sampa



“Li.. Li e reli

Uma incisão com um objeto perfuro-cortante

Poderia ser em Belém, em Paris ou Assunção

Tudo estaria ali do mesmo jeito... o gato, a mala, as luzes, as flores...

O sentimento seria o mesmo... a perda é a mesma, a mesma ilusão...

Acho que esquecer é como exercitar um músculo

É plantar uma erva daninha num jardim... pra ver se as flores morrem...

Por que não arranca-las então?

É mais fácil...

O problema na verdade são as borboletas de Mário Quintana

Em que flores elas vão pousar?”

(TRIBUTO A LOVE IN SAMPA)..



saudades do meu amigo Rock, dos nossos papos, das nossas risadas, da nossa alegria...


SOUNDTRACK: ELLA FITZGERALD {Let´s Do It}